Ana, o que é o ‘Creative Content Kit’?

FINK CONTENT
4 min readApr 26, 2019

O meu projeto final no Mestrado de Artes em Publishing resultou em um produto chamado ‘Creative Content Kit’. Desde janeiro tenho andado por aí com o gravador digital, um roteiro de perguntas e uma caixa de cartas no bolso. O objetivo do baralho não era prever o futuro e tampouco criar um jogo. Minha intenção quando comecei a desenvolver o projeto era entender o processo de gerenciamento de conteúdo tradicionalmente realizado por publishers — ou editores — e aplicá-lo em um artefato (produto) que acabou sendo um deck de cartas.

Meu background em Design Estratégico me fez pensar na área de publishing fazendo um paralelo com a transformação histórica da disciplina do Design em meados dos anos 1960. Alguns devem lembrar do Desenho Industrial e das discussões sobre o que é Design afinal de contas. Hoje a gente entende que Design é processo. É uma forma de pensar, analisar, comunicar. O Design tem a intenção de inovar mudando significados, redefinindo paradigmas e melhorando a vida das pessoas. O Designer é o profissional que consegue ler a complexidade do mundo e escrever soluções em formato de sistemas, processos e objetos.

Ao longo do caminho eu fui me deparando com a complexidade do setor de publicações e eu entendi que pra aprender e realmente contribuir com a área eu precisava exercitar o Design. Para quem é acadêmico, vai fazer sentido se eu disser que minha forma de pesquisa foi a pesquisa-ação. Essa metodologia consiste em aprender fazendo e construir conhecimento a partir do processo. Para um designer o fazer é mais importante do que a teoria. A teoria vem depois. Por isso no meu processo a primeira decisão foi: eu quero hackear* o que os publishers fazem para discutir o processo e não a indústria de impressão, assim como o campo do Design parou de discutir sobre produto e passou a explorar o pensamento de design (Design Thinking).

*Hackear no sentido de atuar como uma designer que vai lá e estuda uma determinada área e se apropria de seus conceitos e fundamentos e libera seus códigos para outros campos

Eu acreditei nisso e pesquisar fazia parte do meu fazer. Nesse processo eu lembrava da minha avó e rezava (rsss) para que existisse alguma teoria já disponível sobre o processo de gerenciar conteúdo. Mais uma vez, a designer não queria teorizar e sim fazer pesquisa, fazer entrevistas em profundidade, fazer um relatório, identificar padrões, sintetizar ideias, conceitos, criar um objeto.

Minhas preces foram ouvidas e o teórico Michael Bhaskar veio me salvar com sua bíblia poderosa: The Content Machine. Não é uma coincidência. No mesmo país onde o design como processo foi pensado pela primeira vez, vive e teoriza o autor da ideia de Publishing com um sistema de gestão de conteúdo: Inglaterra (God save the Queen).

A partir da descoberta dessa teoria, eu confiei no autor e fui fazer o que o designer gosta de fazer: aplicar todo esse significado em um projeto. Minha escolha foi uma ferramenta educativa e lúdica muito utilizada no Design — também — as ‘cartas metodológicas’ são feitas com diferentes finalidades e formatos. Existem alguns estudos bem legais sobre esse formato e eu devo compartilhar logo logo. Escolhi as cartas porque elas possibilitam criar uma estrutura, mas ao mesmo tempo são flexíveis. Se tem uma segunda coisa que designers amam é encontrar soluções entre polaridades. Uma estrutura liberadora era o que eu precisava para poder experimentar.

A próxima etapa foi criar todo conteúdo das cartas, o briefing pra trabalhar a parte visual (executada pela Designer Lara Krenzinger), entrar no mundo maravilhoso da prototipagem. Definir papel, trabalhar com InDesign, pensar na impressão digital e rizografia, testar, cortar, colar, fazer e fazer. Foi muito bom e embora a gente viva em um momento altamente digitalizado, a materialidade tem um valor insubstituível (assunto para outro post).

O método foi testado em um workshop e eu identifiquei na prática que ele precisa de adaptações e também tem seus pontos positivos. A segunda versão está quase pronta e adaptada ao mercado. Por enquanto é isso que eu tenho para compartilhar e contar.

Em junho eu vou estar no Brasil (01/06 até 06/07)e vão acontecer alguns workshops em diferentes cidades. Isso ainda não é um save the date, mas eu vou levar comigo os decks de cartas em português e em inglês. O lançamento aqui na Inglaterra vai ser em agosto. Pra ser sincera, a minha rede de contatos aqui ainda está se construindo e sem dúvida a relação com amigos e parceiros no Brasil e a comunicação na minha língua nativa trazem mais confiança — o teste da verdade (rsss).

Estou super feliz por compartilhar um pouco com vocês, com certeza fica menos solitário. Obrigada pela atenção de quem chegou até aqui. Se vocês quiserem mais detalhes de alguma parte específica do projeto, por favor me falem e assim eu posso direcionar o próximo post. Minha vontade é de compartilhar tudo e ensinar tudo que aprendi/sei, mas saber o que interessa pra vocês é o mais importante. Quando o site estiver no ar e começar a pré-venda vocês vão ficar sabendo nas redes sociais.

Instagram e Facebook page: @finkcontent

Deixo aqui meu triplo obrigado inspirado pela educação polida dos ingleses:

Thank you very much for your attention.

That was really kind of you, thanks a lot.

Thanks.

Best wishes,

Ana B.

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